Série “Monte Alto é História”

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Durante o mês de maio de 2018, comemorativo pelo aniversário de fundação de Monte Alto, a Prefeitura de Monte Alto disponibilizou, em forma de áudio, acontecimentos e curiosidades que marcaram os 137 anos do município.

Os áudios foram gravados nos estúdios da Prefeitura de Monte Alto e transmitidos, diariamente, durante a programação das rádios Cultura 2 AM e Alternativa FM.


01 – Os fatos históricos que trouxeram Porfírio Luís de Alcântara Pimentel

Como todo mundo sabe, dia 15 de maio é o dia da fundação da cidade, ocorrida em 1881. O nosso fundador é o farmacêutico Porfírio Luis de Alcântara Pimentel, que veio de Jaboticabal buscar novas terras para instalar uma cidade.

Mas você sabe porque ele, Porfírio, e sua família estavam em Jaboticabal?

Vamos aos fatos históricos. Depois do fim do ciclo do ouro e das pedras preciosas em Minas Gerais, no século 18, muitos mineiros vieram para São Paulo atrás de terras para plantar arroz, cana, café e outras culturas.

E durante o século 19, o primeiro lugar que buscaram foi o Vale do Ribeira, que é a região de São José dos Campos, onde havia uma cultura forte de café. Foi para lá, exatamente na cidade de Areias, que a família de Porfírio Luis de Alcântara Pimentel se fixou.

Anos mais tarde, quando o café naquela região começou a enfraquecer, muitas dessas famílias de mineiros vieram para o interior paulista. E a família de nosso fundador chegou até Jaboticabal.

Essa chegada seria também o início do processo de fundação de Monte Alto, que a gente conta no próximo boletim.


02 – A fundação de Monte Alto

Monte Alto é conhecida pelo codinome de Cidade Sonho. Você sabe o porquê?

Tudo tem a ver com a fundação da cidade, pelo farmacêutico, bandeirante e sertanista Porfírio Luis de Alcântara Pimentel. De acordo com um documento publicado na imprensa local nos primeiros anos do Séc. XX, lá em 1901, 1902, a esposa de Porfírio, D. Genoveva, conta que ele teve um sonho sobre fundar uma cidade, numa mata rodeada de café e córregos, com uma igreja do Bom Jesus de Pirapora ao centro. Esse documento diz que Porfírio saiu em busca dessa paisagem com que tinha sonhado. E que, depois de muitas buscas, encontrou esse lugar.

Numa cena famosa, conta-se que ele subiu no alto de uma perobeira e disse, em alto e bom som: “Aqui se chamará Bom Jesus de Pirapora do Monte Alto das Três Divisas!” Os antigos contavam que esse perobeira ficava onde é hoje a Praça do São Benedito, que tem o nome de Largo do Batismo por ser o lugar onde Porfírio batizou Monte Alto.

Outro detalhe: o nome “das três divisas” vem das nascentes que temos aqui dos rios da Onça, do rio Turvo e do Córrego Rico. Mais um detalhe: Bom Jesus de Pirapora é uma capela famosa, construída no Salto de Pirapora, em 1725, perto de Santana do Parnaíba, região da capital de São Paulo.

E então, finalmente, no dia 15 de maio de 1881, marcou-se a primeira missa no local e, ali, mesmo, foi passada a escritura dos quatro alqueires comprados por Porfírio para a instalação da nova cidade. Enquanto tudo isso estava perdido numa edição de jornal da cidade, lá no início do século, tudo bem. No entanto, em 1917, o Jornal O Estado de São Paulo publicou o texto e tornou a história famosa, gerando aí o codinome Cidade Sonho para a nossa querida Monte Alto.

Se o sonho realmente existiu, nunca poderemos dizer. Mas não temos como negar o talento, a coragem e a visão de Porfírio para fundar cidades. Monte Alto, junto com Monte Aprazível, a outra cidade fundada por ele, se desenvolveram rapidamente e se tornaram grandes produtoras de café, atraindo riquezas e desenvolvimento para a região.

No senso agrícola de 1920, as duas cidades estavam entre as maiores produtoras de café do estado de São Paulo. Essa chegada seria também o início do processo de fundação de Monte Alto, que a gente conta no próximo boletim.


03 – O Distrito de Aparecida do Monte Alto

Monte Alto foi fundada em 1881, mas o Distrito de Aparecida é muito, mas muito mais antigo.

Foi 35 anos antes de Porfírio rezar a missa e fundar a Cidade Sonho. Em 1846, o fazendeiro português Flávio Antonio de Oliveira construiu em suas terras uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição.

Segundo relatam testemunhas da época, Flávio foi curado milagrosamente de uma grave doença depois de pedir a graça à Nossa Senhora da Conceição. Para criar um patrimônio em torno da capela, doou também 90 alqueires, para que se criasse ali um povoado. E assim foi.

A primeira cerimônia religiosa aconteceu a 8 de dezembro de 1848, com centenas de pessoas reunidas. Fizeram até decoração, com arcos de bambu amarelo e bandeirolas coloridas. Ali surgia um embrião de muitas cidades da região, que cresceu e se desenvolveu em torno dos rios e riachos ao longo da Serra do Jabuticabal. Quando os imigrantes italianos chegaram à região, passaram a chamar a santa de Madona da Conceição de Monte Alto, a Montesina. Um nome que vinha dos costumes italianos de nomear suas imagens de Nossa Senhora.

Em 1893, esteve na capela o padre Claro Monteiro do Amaral, que já tinha sido vigário em Aparecida do Norte. Depois de ficar impressionado com a fé e devoção popular em torno da Santa, pediu ao bispo Don Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, que elevasse o local a santuário. Além disso, concedeu também a autorização para que fosse feitas as comemorações no dia 8 de setembro, festa da Natividade da Virgem Maria.

Assim nascia Aparecida do Monte Alto, distrito do município, originalmente Capela de Nossa Senhora da Conceição Montesina, o primeiro monumento de arte e fé construído em nossa região. Hoje o local é um dos principais pontos de romaria do Estado de São Paulo, sendo de grande importância para o turismo religioso de nossa cidade.


04 – Emancipação política de Monte Alto

Monte Alto foi fundada em 1881, mas a criação do município só se deu a 8 de fevereiro de 1896.

Tudo começou com a apresentação, na Câmara dos Deputados paulista, do projeto nº 4, de 19 de abril de 1895, que criava a nossa cidade. Depois de muitas idas e vindas, com várias discussões e aprovações dentro do regimento interno da casa, o projeto foi aprovado definitivamente e convertido na Lei Nº 363, de 31 de agosto de 1895. No entanto, a cerimônia de posse e instalação do município só ocorreu dia 8 de fevereiro do ano seguinte, 1896.

Na casa do cidadão Sabino Soares de Camargo, depois de eleita a câmara, foram empossados os primeiros juízes de paz da cidade, sendo Herculano Bueno do Livramento o primeiro Juiz de Paz, Antonio Jacynto de Medeiros, o segundo Juiz de Paz e Joaquim Ferreira Soares, o Terceiro Juiz de Paz eleito do distrito. Em seguida, por proposta do Presidente da Câmara, foi adotado como regimento interno o da Câmara Municipal de Jaboticabal.

Dessa forma, todos os nascimentos e casamentos passaram a ter efeito na cidade de Monte Alto, além de termos agora o nosso próprio sistema de Leis, que ficaria a cargo da nova Câmara Municipal.


05 – A primeira sessão da Câmara Municipal de Monte Alto

Monte Alto foi fundada em 1881, mas só nos tornamos uma cidade de fato no dia 8 de fevereiro de 1896.

Nesse dia aconteceu a primeira sessão da Câmara Municipal da Cidade, que agora passaria a criar seu próprio ordenamento jurídico. No boletim anterior, falamos dos juízes de paz eleitos para realizar o trabalho de registro de nascimentos, casamentos e óbitos na cidade. Hoje vamos falar da primeira legislatura da Câmara, numa sessão que começou às 10 horas da manhã, na casa de Sabino Soares de Camargo, que foi cedida para as primeiras reuniões.

Ali, tomaram posse os primeiros vereadores eleitos da cidade: José Soares de Melo, José Ferreira Jorge, Adolpho Pantaleão, Norberto S. Andrade, Antonio Gomes do Amaral e Angelo Picerne. Na sessão, assumiu a primeira presidência o vereador mais velho, José Ferreira Jorge, que depois continuou com o cargo eleito por voto direto entre os seu pares. E para o cargo de primeiro intentente da cidade, ou seja, o prefeito da época, foi eleito o vereador mais novo, José Soares de Melo.

Assim nascia Monte Alto diante da lei, com a eleição da Câmara e do nosso intendente. Esse momento da história da cidade foi resgatado pelos jornalistas Elton Barroso e Luis Felipe Nunes. Hoje, para lembrar a data,  a Prefeitura realiza todo dia 8 de fevereiro, uma cerimônia de hasteamento de bandeiras em frente à Prefeitura.

A cerimônia conta sempre com um grande número de alunos de todas as escolas da cidade. Uma forma de resgatar a história local e levar mais informação para as crianças e jovens de nosso município.


06 – A história da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus

Vamos falar hoje da Matriz do Senhor Bom Jesus, que teve sua primeira capela feita pelas mãos do nosso fundador, Porfírio Luiz de Alcântara Pimentel.

Segundo relatos da época, era tosca, feita com madeiras da exuberante vegetação presente em nossas terras. Depois, com as esmolas do povo, Porfírio foi remodelando sua arquitetura, para ser finalmente Matriz da Paróquia do Senhor Bom Jesus de Monte Alto. A igreja foi elevada a santuário por decreto de sua Excelência D. Lino Deodato, bispo de São Paulo, em 24 de setembro de 1893. A imagem do Senhor Bom Jesus foi doada por Francisco Cabral de Mello.

Em 1900, foi lançada a pedra fundamental para a construção de uma nova igreja para receber os fiéis que se dirigiam todos os anos para a Matriz. A construção terminou em 1902, quando foi celebrada a primeira missa pelo vigário Pe. Elídio Marano. Mas a Igreja nova, como a vemos até os dias de hoje, teve suas obras iniciadas em 1912, por uma comissão que incluía o Dr. Raul da Rocha Medeiros, José Luiz Franco da Rocha e o Capitão Joaquim Valentim de Barros.

Os trabalhos para se erguer a Matriz terminaram somente em 1929, 17 anos depois, com a inauguração provisória no dia 28 de fevereiro daquele ano.Dentre as várias doações para o Santuário do Senhor Jesus estiveram o carrilhão, doado pelo médico da Santa Casa Dr. João Gondin Fabrício, o sino grande, doado pelo Coronel Angelo Alário, a porta principal e as laterais pelo banqueiro e comerciante Dante Borghi.


07 – A tradicional Festa do Senhor Bom Jesus

Vamos falar hoje da Festa do Senhor Bom Jesus, uma das mais tradicionais festas religiosas de Monte Alto e região. Tudo começou com a devoção ao Senhor Bom Jesus desde os primórdios da criação do povoado de Monte Alto das Três Divisas. Todos os anos, centenas de romeiros se dirigiam à Igreja Matriz no dia 6 de agosto para prestar suas honras e pedir graças ao Senhor Bom Jesus. Esses festejos serviam também para angariar fundos para as reformas e ampliações da igreja, que sempre se mostrava pequena para receber seus fiéis.

O primeiro grande festejo de que se tem notícia foi em 1899, às vésperas da virada do século, e teve como festeiros Maria Joaquina de Jesus e Antonio Gomes do Amaral, vereador da cidade. Em 1900 a pequena cidade viu uma grande festa para a inauguração da igreja Matriz. O comando desse evento ficou a cargo de Herculano Bueno do Livramento e de Maria Fînaco de Aguiar.

Em 1908, ano da inauguração do ramal de trem da Companhia Melhoramentos que chegava até o centro da cidade, foi organizada uma caravana especial entre Jaboticabal e Ibitirama, com chegada a Monte Alto. No entanto, até 1917 as comemorações em louvor ao Senhor Bom Jesus aconteciam apenas durante um ou dois dias. Mas, Com a criação da Irmandade de Misericórdia de Monte Alto, no mesmo ano, foi realizada a primeira Quermesse, com muitos dias de duração e uma estrutura para abrigar milhares de pessoas. Parte da arrecadação foi destinada à construção da Santa Casa.

A própria irmandade, recém-criada, comprou 5 grandes pavilhões para a acomodação das pessoas, que vieram de todos os lugares do estado de São Paulo. Nos anos 50, o evento passou a ser chamado de Festa de Agosto, recebendo sua primeira exposição agro-industrial com decoração do recinto feita por Baby Barioni. Em 1981, a quermesse se muda para o Pavilhão de Festas do Complexo Esportivo Baby Barioni—ele de novo—onde permanece até os dias de hoje.

A Festa de Agosto, em louvor ao Senhor Bom Jesus, é atualmente uma das maiores quermesses do estado de São Paulo.


08 – Monte Alto se torna Comarca

O assunto hoje é a elevação de Monte Alto à categoria de Comarca, fato que ocorreu no dia 25 de janeiro de 1929. Talvez tenha sido um dos maiores e mais prestigiados eventos que já ocorreram na Cidade Sonho.

Durante aquele dia, reuniram aqui centenas de autoridades locais, regionais e estaduais, com comitivas de diversas cidades e de órgãos públicos do estado de São Paulo. Tudo em virtude dos esforços políticos de muitos anos de figuras como Jeremias de Paula Eduardo, presidente da Câmara e do Partido Republicano Paulista, que governava o estado naquela época. Além dele, destaque para a atuação de Joaquim Bueno do Livramento, o Nhonhô, e do então prefeito Dr. Raul da Rocha Medeiros. Todos eles receberam, naquela fatídica ocasião, o secretário de Justica, Dr. Salles Júnior.

A programação começou às 5 da manhã, com alvorada de bandas, foguetes e toques de sinos. Teve almoço na Fazenda Esperança, de Jeremias de Paula Eduardo, que na época tinha 200 mil pés de cafés. A viagem foi feita no trem da Melhoramentos, em meio à paisagem da Serra do Jabuticabal. À tarde, concertos de bandas musicais na praça, missa na Matriz celebrada pelo Padre Salomão Vieira e, acreditem, cinema ao ar livre às 7h30 da noite, na praça das bandeiras.

As 8 da noite, um jantar no Cine Guarany deu continuidade à celebração da nova Comarca do estado. Depois do jantar, todos se dirigiram ao Paço Municipal, onde hoje temos a 2ª Vara do Forum, para um grandioso baile, com diversas corporações musicais se apresentando. Realmente, uma festa digna de uma grande conquista para a cidade, a elevação à comarca, com a instalação do Fórum, o primeiro Juiz, Dr. Carlos Kielander, e do primeiro promotor, Maurílio Corrêa Giudici.

Em 1929, o Brasil, especialmente o Estado de São Paulo, estava à beira de uma revolução que mudaria os rumos do estado e do país. Essa grande reunião de figuras importantes para o Estado traduzia a liderança dos políticos monte-altenses no cenário nacional como, por exemplo, do Dr. Raul, que posteriormente veio a se eleger deputado estadual e federal.


09 – A economia de Monte Alto

Vamos falar hoje da economia de Monte Alto, uma cidade que nasceu rodeada de fazendas de café, matas nativas fechadas, com madeira de lei, serras, quedas d’água e nascentes em seu entorno. Essa topografia seria a responsável por tudo o que Monte Alto é hoje, tanto em desenvolvimento social quanto econômico.

Depois de sua fundação, em 1881, o povoado se desenvolveu devagar até o final do século 19, sendo conhecida por grande número de episódios violentos e pela ausência de lei. No entanto, quando a cidade foi emancipada, em 1896, quinze anos depois da fundação, ganhou uma delegacia, com os delegados indicados pela Câmara Municipal e pelo Governo do Estado. E a pacificação da população contribuiu muito para o desenvolvimento econômico de Monte Alto, muito em virtude do trabalho dos irmãos Herculano e Joaquim Bueno do Livramento.

A partir de 1906, começava a primeira fase da Era de Ouro da cidade, que iria se estender até 1918, com grandes avanços na cidade: chegada a estrada de ferro em 1908, chegada de milhares de imigrantes, principalmente italianos e espanhóis e criação da Santa Casa em 1917. Essa fase foi interrompida com a grande geada de 1918 na região, que diminuiu muito a produção de café dos anos seguintes. Mas em 1920 a produção já foi retomada e começou aí a segunda fase da Era de Ouro em Monte, que foi até 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, afetando os mercados do mundo todo—e de Monte Alto também. Nos anos 30, 40 e 50, a cidade sofreu com a instabilidade econômica e política do Brasil. Nesses anos a população caiu de 40 mil para 16 mil habitantes.

Mas foi a agricultura a responsável pelo novo florescimento do comércio e indústria de monte Alto. Nos anos 50 e 60, a cidade se destacou pela produção principalmente de hortaliças como o tomate, que trouxe a CRAI para a cidade, e de frutas como o mamão, sendo conhecida nacionalmente como a Terra do Mamão.


10 – O centenário da Santa Casa de Monte Alto

O assunto hoje é o centenário da Santa Casa de Monte Alto, que foi criada em 4 reuniões aqui no centro da cidade, no antigo Cine Theatro Rio Branco, que depois veio a se chamar Cine Guarani.

Entre os anos de 1906 e 1918, Monte Alto viveu a primeira fase de sua Era de Ouro na economia, onde se via a cidade crescer em todos as áreas, principalmente na produção de café. Esse progresso permitiu que um grupo de fazendeiros, comerciantes, militares e profissionais liberais, como médicos, advogados e farmacêuticos, se unisse para a criação de uma Casa de Saúde para atender principalmente a população mais necessitada.

Nesse processo, a influência do médico Dr. Raul da Rocha Medeiros foi fundamental. Ele chegou a Monte Alto em 1909, mas seus estudos foram na primeira faculdade de medicina do País, a Faculdade de Salvador, que também mantinha uma grande Santa Casa, onde os estudantes faziam sua prática de clínica e cirurgia. Além disso, em dezembro de 1916, Dr. Raul esteve no Primeiro Congresso Médico Paulista, realizado em São Paulo, quando entrou em contato com tudo o que havia de mais novo na medicina da época.

Ali, naquele evento, provavelmente nascia a ideia de implantação da Santa Casa em Monte Alto. Voltando à Monte Alto, organizou o grupo de cidadãos da cidade e criou a Comissão de Organização daquela que passou a ser chamada de Irmandade de Misericórdia de Monte Alto.

Em janeiro de 2017, aconteceram 3 reuniões preparatórias, quando foram discutidos os estatutos da entidade e os planos de construção do hospital. Em 11 de fevereiro daquele ano, finalmente o grupo se reuniu e assinou as atas de fundação e os estatutos que iriam orientar a Irmandade nos próximos anos. Naquele dia, estiveram presentes 36 cidadãos, que doaram 10 contos de réis cada um para a construção do hospital. Posteriormente, chegou-se a 81 irmãos-fundadores.

E o hospital passou a ser construído. Sete anos e meio depois, no dia 14 de julho de 1924, começava a funcionar o hospital, quando o primeiro paciente chegou; o menino José Matioli, de 11 anos, que veio de Vista Alegre do Alto tratar uma apendicite. De lá para cá, a Santa Casa se consolidou e é hoje uma das mais sólidas e eficientes entidades de Saúde de nossa região e do estado de São Paulo, sendo considerada em 2009 como a 4º melhor Santa Casa da região de Ribeirão Preto.


11 – Os imigrantes chegam em Monte Alto

Vamos falar hoje dos imigrantes. Para começar, o estado de São Paulo foi, de longe, o que mais atraiu imigrantes. Dos 4,5 milhões que chegaram ao Brasil ao longo do início do século XX, cerca de 3 milhões desembarcaram em Santos e subiram a serra rumo ao interior do estado, na esperança de trabalhar e trazer para si um pouco da riqueza do café na época.

Os imigrantes desembarcavam em Santos e, eram encaminhados de trem até o Brás, onde ficavam na Hospedaria dos Imigrantes – hoje transformada no Memorial do Imigrante – e de onde partiam para as lavouras no interior do estado. São Carlos, por exemplo, era um ponto de parada de muitos deles. Jaboticabal também era outro local para onde se dirigiam inúmeros imigrantes. E dali vinham para Monte Alto.

Nas primeiras décadas, a cidade foi povoada pelos nativos de São Paulo, os paulistas e imigrantes mineiros. Com a migração interna, recebeu muitos nortistas, baianos e sergipanos que foram os primeiros fazendeiros e políticos a lutar pela emancipação do município. Dr. Raul e Zacharias de Lima eram exemplos desses migrantes.

Com a chegada dos italianos, surgiram as indústrias como a de massas alimentícias e oficinas de ferragens. Além dessas, criaram fábricas de moagem de cereais, móveis e decoração, ladrilhos e telhas, farinhas e polvilhos, aguardente, cerveja e sabão. O comércio se desenvolveu com a vinda dos imigrantes Libaneses, portugueses e também italianos, com seus armazéns de secos e molhados, pensões e hospedarias. A lavoura cresceu com a chegada dos japoneses, que trabalharam junto aos alemães, poloneses, russos e espanhóis. A primeira família japonesa a chegar na cidade foi em 1913.

Monte Alto de hoje deve muito ao conhecimento e ao trabalho dos imigrantes que chegaram aqui ao longo de sua história. Uma riqueza inestimável para o nosso povo, que deve ser sempre preservada e valorizada.


12 – Menina Izildinha, o Anjo do Senhor

Vamos falar hoje de uma das mais extraordinárias histórias de nossa cidade: a Menina Izildinha, o Anjo do Senhor, a quem se atribui milagres e curas de muitos de seus devotos e seguidores.

Maria Izilda de Castro Ribeiro nasceu em Póvoa de Lanhoso, pequena cidade do norte de Portugal, no dia 17 de junho de 1887. Desde cedo viveu na simplicidade e na retidão. Ainda menina, já demonstrava virtudes de uma pessoa diferenciada, com grande expressão de amor, paciência e carinho por todos à sua volta.

Quando entrou na adolescência, Izildinha começou a ficar doente. Ninguém sabia o que ela tinha. Diziam que era “sangue fraco” ou “sangue pobre”. Pelos sintomas descritos, (caroços no pescoço), poderia ser “linfatismo”, causado por uma Leucemia. A princípio, ela recebeu tratamentos caseiros. Como não melhorava, foi levada para Póvoa de Varzim, para fazer um tratamento mais sério. Chegou a ficar 18 dias num banho de manteiga.

Devido aos poucos recursos da medicina na época, e também à pobreza e dificuldades próprias do início do século XX, Maria Izilda faleceu dia 24 de maio de 1911, em Guimarães, aos 14 anos. 39 anos depois, quando por razões de família, resolveram trazer os restos mortais da menina para o Brasil, um surpresa: Izildinha estava intacta, com as flores de seu enterro ainda exalando perfume!

Assim começava a fé e devoção à Menina Izildinha, que foi trazida ao Brasil em 29 de agosto de 1950, sendo enterrada no Cemitério São Paulo pelo seu irmão Altino e sua cunhada, D. Rosinha. Como seu irmão tinha uma grande fábrica em Monte Alto, construíram aqui um Mausoléu perpétuo, para onde trouxeram o corpo da menina no dia 8 de março de 1958. Foi um acontecimento marcante para a cidade e região. Mais de 10 mil pessoas esperavam a urna funerária na estrada Jaboticabal-Monte Alto, para acompanha-la até o seu mausoléu.

O cortejo chegou em frente à CRAI, a indústria de irmão de Izildinha, às 6 horas da tarde, mas uma multidão ficou a noite toda em vigília e oração pela menina e seu feitos milagrosos. A partir de então, multidões começaram a ir até Monte Alto para pedir a intercessão da Menina Izildinha e as graças começaram a acontecer. Hoje são inúmeros os testemunhos de curas, e milagres alcançados por ela, que ainda não é canonizada pela Igreja Católica, mas o povo a tem como santa.


13 – Monte Alto é berço dos Jogos Abertos do Interior

Vamos falar hoje dos primeiros Jogos Abertos do Interior, realizados em Monte Alto em dezembro de 1936 sob a coordenação de Horácio Baby Barioni.

Tudo começou com o amor de Baby pelo esporte. Paulistano, o homem era jogador de bola ao cesto, antigo nome do basquetebol, no Palestra Itália, o Antártica e no Espéria. Em 1936, viajando pelo interior do Estado de São Paulo, acabou ficando em Monte Alto. Aqui, foi convidado a apitar um jogo de basquete naquela noite. Foi amor à primeira vista.

O povo da cidade acolheu Baby e aqui ele foi ficando, fazendo amizades e treinando o time de basquete da cidade, ensinando os fundamentos para os meninos que nunca tinham praticado esse esporte. Foi então que Baby percebeu que, aqui, teria condições de realizar um sonho antigo: uma competição entre cidades. Para isso, conseguiu apoio da prefeitura, do então prefeito Paulo de Campos Gatti, da Câmara Municipal, do então presidente Dr. Júlio Raposo do Amara, e da Associação Atlética Monte-Altense, que tinha como presidente o ex-prefeito Manoel Carvalho Lima.

Foi dessa união, além do apoio das famílias da cidade, que alojou muitos atletas em suas próprias casas, que foi realizada a primeira edição dos Jogos Abertos do Interior, em dezembro de 1936. Vieram para a cidade os times de Uberlândia, Piracicaba, Franca, Olímpia e Mirassol, além de Monte Alto. Foram seis times disputando o torneio.

Choveu muito naqueles dias. A quadra, feita de saibro, era ao lado da praça, exatamente onde morou o Dr. Antonio Mazza. Quando parava a chuva, os jogadores saíam passando rodinho na quadra, para escoar a água. Quando soava a sirene do Cestari, no final do dia, era o sinal para que todos se dirigissem para a quadra, que iriam começar os jogos daquele dia. Apesar de todas as dificuldades, os Jogos aconteceram até o fim, sendo Uberaba a equipe campeã do torneio.

Baby Bariori, depois dessa aventura, tornou-se uma pessoa querida em Monte Alto, sendo reconhecido pelo pela liderança e pelo amor que tinha ao esporte. Hoje essa competição, que já foi realizada 81 vezes, atualmente é chamada de Jogos Abertos Baby Barioni sendo considerada a maior competição esportiva da América Latina.

Monte Alto, por sua vez, é também reconhecida como o berço dessa competição, com todas as honras de um passado esportivo pioneiro e glorioso.


14 – Monte Alto se faz presentes em grandes conflitos

Vamos falar hoje da participação de Monte Alto em grandes conflitos, como a Revolução Constitucionalista e a Segunda Guerra Mundial.

Pode-se dizer que a cidade é um berço de bravos e heroicos soldados. A contar pelas centenas de praças que se alistaram ou se voluntariaram para lutar ao lado das tropas paulistas na Revolução de 1932, que também chamamos de Constitucionalista. O golpe de estado decorrente da Revolução de 1930 derrubou o então presidente da república, Washington Luís, que era paulista. Além disso impediu a posse do seu sucessor eleito nas eleições de março de 1930, Júlio Prestes. O nosso próprio deputado estadual eleito, Dr. Raul da Rocha Medeiros, também não tomou posse, pois Vargas fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais; e, por fim, cassou a Constituição de 1891, até então vigente.

Aí o Estado de São Paulo se rebebou – e Monte Alto foi uma das inúmeras cidades que se envolveram na questão de corpo e alma. Foram organizadas arrecadações de dinheiro, de ouro e até produção de pães para apoiar os soldados paulistas nas frentes de batalha, geralmente no sul de Minas Gerais. Outra frente que contou com soldados monte-altenses foi a Segunda Guerra Mundial. Daqui saíram Mário de Vicente e Ernani Soares, que pertenciam à Força Expedicionária Brasileira. Lutaram em batalhas decisivas em Monte Castelo, Montese, Castelnuovo e La Serra, na Itália, sob o comando do general Mascarenhas de Moraes. Estiveram ao lado das tropas americanas do General Mark Clark.

Com o fim da guerra, Monte Alto recebeu seus heróis com festa e comemorações pela vitória junto aos Aliados.
Na Praça da Bandeira, em frente ao Fórum, até hoje podemos ver a placa que perpetuou o nome de nossos expedicionários na Segunda Grande Guerra.


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